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Subindo o Vulcão Villarrica – Pucón no INVERNO! c/ Snowboard

14/12/2017

 

 

 

 

O nome dado pelo povo mapuche para esse vulcão é Rucapillán, na sua língua, “pillán” significa casa e “ruca” pode significar tanto espírito quanto demônio.

 

Pucón é uma cidadezinha incrivelmente charmosa no sul do Chile, no fim da região da Araucania e próxima ao início da Patagônia.

 

 

 

A cidade conta com um belo lago, charmosas ruas repletas de restaurantes e lojas tanto chiques quanto regionais, uma arquitetura de madeira bem na vibe montanha e ainda cachoeiras, bosques e rios para se contemplar. Visitar essa cidade é uma ótima ideia em qualquer momento do ano.
Mas a grande atração realmente é o imponente vulcão Villarica.


As ruas contam com avisos sobre vias de evacuação no caso de erupções, e o conflito da sua majestosa beleza e o seu poder incrivelmente destrutivo é simplesmente fascinante.

Esse vulcão é um dos 5 únicos do mundo com um rio de lava ativo. Com (muita) sorte, no topo você poderá vislumbra-lo

 

A cidade comporta qualquer tipo de viajante, e pode ser interessante para pessoas completamente diferentes, mas se você curtir o lado mais aventureiro da vida e estiver em boa forma física, o programa a se fazer é escalar o Vulcão de 2847 metros de altura.

 

Prepare-se para vistas inesquecíveis e uma genuína aventura.

 

 

Eu posso subir?

 

 

O programa é vendido para quem quiser comprar, com um tímido alerta de que é preciso estar em forma. É necessário entender que não é uma tarefa simples, o esforço é enorme (especialmente no inverno) e muitas pessoas desistem no caminho.

 

"Saiba que subir uma montanha, ..., pode trazer situações imprevisíveis. Não é uma caminhada no parque."

 

Dito isso, a parte técnica é bem simples, não requer experiência prévia de montanhismo e é bem possível.

Fortes ventos e um frio gélido podem te aguardar no topo, essas condições podem ser um tanto desnorteantes, saiba que subir uma montanha, por mais simples que seja, pode trazer situações imprevisíveis. Não é uma caminhada no parque.

 

A ascensão pode começar desde os 1200 metros até os 1800, se os teleféricos estiverem abertos pode-se pagar para subir neles. Não é uma boa ideia economizar aqui, se você tiver a opção de subir sem esforço, compre-a, você agradecerá mais tarde.

 

Leve água, pelo menos 1,5L, e lanches. Sua jornada demorará até 9h.

Sendo 4-6h de subida, a descida depende do seu meio de transporte. Com meu snow demorou um pouco mais de 10 minutos.

 

 

Qual companhia contratar?

 

Inúmeras agências pela cidade vendem a excursão, o pacote já inclui equipamento, o guia e instrução. Os preços variam, mas não gritantemente.

 

Eu optei pela Aguaventura.

 

Na minha viagem pelo Chile e Argentina, eu adotei como objetivo subir o vulcão. Em diferentes ocasiões eu conversei com pessoas em outras cidades e pedi sugestões sobre que agencia utilizar.


A Aguaventura foi de longe o nome mais recomendado, por locais e pessoas do ramo. Ela foi fundada por franceses e oferece os programas em 3 línguas, espanhol francês ou inglês. A minha experiência com os guias (chilenos) foi ótima, mas o que realmente me impactou foi a filosofia do pessoal da empresa. Eles realmente amam o que fazem, acima de puro ganho financeiro.

 

 

No meu caso, eu fazia questão de descer de snowboard, o que forçaria eles a mandar um guia adicional. Normalmente isso seria feito apenas se houvessem duas pessoas querendo descer de snow, mas havia somente eu. O preço então dobraria, o que eu não poderia pagar. Depois de um tempo negociando e conversando, empolgados com minha vontade de fazer o programa, eles reduziram o preço basicamente acabando com sua margem de lucro para que eu pudesse realizar a excursão. Merci Beaucoup!

 

Dito isso, recomendo-os porque são profissionais e autênticos, mas provavelmente qualquer outra empresa fará um serviço okay, até porque muitas vezes os guias são terceirizados.

 

Eu posso subir sozinho?

 

Em teoria só se pode fazer ascensão na companhia de um guia, mas controle sobre essa regra não parece ser exercido.

Se você tem experiência em alpinismo e backcountry skiing/snowboarding e com os equipamentos e conhecimentos de segurança com avalanche. Você provavelmente pode subir sem um guia.  É comum ver locais subindo entre amigos.

 

 

 

Dica: se optar pela Aguaventura, não deixe de ir na loja de empanadas na mesma rua, um letreiro amarelo EMPANADAS torna fácil reconhecer. Empanadas enormes e deliciosas, só de escrever fico com saudade.

 

 

 

 

Diferenças entre o Inverno e o Verão.

 

A ascensão do vulcão está disponível durante o ano inteiro, dito isso, a época da sua visita fará da experiência algo completamente diferente.

 

A empreitada requer condições climáticas favoráveis, e por isso é bom ter em mente que no inverno você precisará de um pouco de sorte, e mesmo em outras épocas é possível que o vento te impeça de atingir o cume. Sempre será esse o caso em montanhismo, prepare-se psicologicamente para isso.

 

 

 

No verão e nos meses quentes, a ascensão pode ser realizada quase todos os dias. Os teleféricos costumam estar todos abertos, então a subida pode começar no ponto mais alto possível, por volta dos 1800 metros, deixando por sua conta os mil e poucos metros adicionais até o cume, na pior das hipóteses, você começará nos 1400m.


Nessa época o passeio é incrivelmente popular, então espere muitas outras pessoas o fazendo, com possíveis congestionamentos em alguns trechos.
Nos meses quentes só há neve/gelo perto do cume, o que poderá tornar necessário o uso do machado de gelo e das garras nos sapatos. (garras nos sapato, ou "crampons", são umas correntes com pontas de metal para os seus sapatos, que permitem grudar seu pé no gelo)

 

 

 

No inverno, constantes nevascas e vendavais impossibilitam o programa na maioria dos dias, quando perguntei ao guia, ele me disse que a cada duas semanas eles conseguiam de 2 a 5 tentativas de ascensão, sendo que só em metade dessas se chegava ao cume por conta de vento.


O esforço físico é bem maior, desde o início da caminhada há neve, e cada vez que se pisa na neve ela cede um pouco, em alguns momentos muito, tornando cada passo mais exaustante. Além disso, pequenas escorregadas podem drenar sua energia rapidamente.

 

 

 

"Se houver um dia no inverno no qual a ascensão seja possível, faça-a. Não espere um dia perfeito, ele não existe."

 

Os teleféricos superiores permanecem fechados na maioria dos dias (independente do centro de ski estar funcionando...), de forma que a subida pode começar nos 1200 metros, adicionando 600 árduos metros de ganho vertical a sua jornada (comparado ao verão), se você tiver sorte, poderá começar nos 1400m.

Pelo lado bom, as vezes a neve na parte superior tapa todo o gelo e torna as garras nos sapatos desnecessárias. Além disso, como há neve até a base, pode-se usar um “skibunda” ou escorrega para deslizar até lá, ou é claro, seus skis ou snowboard.

 

 

 

PS: eu era o único do meu grupo subindo com um snowboard nas costas, 5-7 kg extras. Manter o mesmo ritmo dos demais foi incrivelmente desgastante e quase me fez desistir diversas vezes, mas contei com ajuda e o resultado foi algo que me lembrarei para sempre. Idealmente use um splitboard ou suba com um grupo aonde todos estejam na mesma situação.

 

Splitboard: É um equipamento que consiste em um snowboard que se divide em dois "skis". Umas tecido chamado "skin" é posto na parte inferior dos "skis" para grudar na neve, permitindo ascender montanhas. No topo, basta apenas reconectar os "skis" para formar o snowboard.

 

 

Minha experiência

 

 

 

Da primeira vez que passei em Pucón fui apenas visitar centro de ski, sobre o qual farei uma avaliação em outro post, mas foi o suficiente para me deixar obcecado com a ideia de subir o vulcão. Como estava de van, fui para a Argentina e acompanhei constantemente as previsões do tempo, voltando duas semanas depois em um dia ideal.

 

Eles sempre falam isso, e é verdade. Se houver um dia no inverno no qual a ascensão seja possível, faça-a. Não espere um dia perfeito, ele não existe.

 

Assim que terminei a empreitada, gozando de uma sensação incrível de realização, escrevi o relato abaixo, e, portanto, deixo-o aqui inalterado.

 

Meu relato

 

 

Parte 1 - A ascensão

 

 

Depois de se reunir na agência de turismo Aguaventura as 7:00 e verificar todos equipamentos, partimos para o vulcão e as 9:30, o grupo de seis pessoas, entre esses dois guias, partia da marca de 1200 metros, uma cafeteria logo no fim do teleférico que pertence a estação de ski.

 

 

 

Eu era o único carregando um snowboard além da mochila com 10 kilos de equipamentos e suprimentos. Subimos por cerca de duas horas até algum ponto por volta dos 2000 metros e a prancha havia me deixado exausto.

 

Nessa hora não conseguia afastar o pensamento de desistir e decidi deixar a prancha para melhorar minhas chances, um dos guias se virou para mim e disse "Acho que você não vai chegar ao topo, por que não desiste e aproveita um dia de ski lá embaixo?". Eu falei que eu ia tentar subir mas deixaria a prancha para melhorar minhas chances. Acho que os guias gostaram de mim e decidiram me ajudar a levar a prancha mais alto e revezaram comigo quem carregava o snow. Sem a prancha, meu cansaço deixou de ser incrivelmente intenso e passou a se manifestar apenas como dores musculares, o que eu conseguia tolerar.

 

 

"A medida que o tempo passou eu entrei em uma forma de piloto automático"

 

 

A vista era linda mas a maior parte do tempo eu olhava para baixo, escolhendo bem aonde pisar para evitar pequenos deslizamentos da neve, que atenuavam o cansaço. De tempos em tempos haviam umas paradas para descanso e para comer, no início eu chegava nelas esgotado, mas a medida que o tempo passou eu entrei em uma forma de piloto automático e me vi chegando nessas paradas pouco cansado, permitindo que eu controlasse bem a minha energia.

 

 

 

Havíamos nos juntado com outro grupo e o guia que me sugeriu descer teve que levar alguns desistentes para baixo. O grupo ia encolhendo. Em uma parada específica perguntamos a que altura estávamos, nos responderam que por volta dos 2500 e faltava por volta de uma hora para chegar, a partir daqui o terreno se tornou parte gelo e parte neve moldada pelo vento, ruim para prática do snow, então decidi deixar a prancha ali.

 

Nessa última secção demos sorte por ter pouco gelo, mas a medida que subíamos o vento aumentava.

 

 

Na reta final, o vento havia ficado extremamente forte e algumas pessoas que andavam na frente tinham dificuldade de prosseguir, fazendo todo o grupo ficar parado enquanto ventos de 50km/h levantavam a neve a nossa volta e queimavam a pele exposta. Eu estava de óculos escuros e sentia o rosto inteiro arder e as mãos com luvas finas doíam com o frio. Eu tinha equipamentos na mochila mas não parecia haver como parar e saca-los, só queria seguir em frente. Essa situação se prolongou por uns vinte minutos, com o vento sempre aumentando, até o cume, aos 2847 metros de altura.

 

 

Parte 2 - O cume

 

"Quando eu cheguei havia tanto vento que era difícil enxergar qualquer coisa, rajadas levantavam neve e terra do vulcão dificultando entender seus arredores."

 

 

 

A intenção era contemplar o rio de lava visível do topo, um dos 5 únicos do mundo. Mas isso não foi possível.

Quando eu cheguei havia tanto vento que era difícil enxergar qualquer coisa, rajadas levantavam neve e terra do vulcão dificultando entender seus arredores. Por um segundo eu consegui ver a linda vista do outro vulcão Lanín, visível apenas do topo, algumas pessoas tiravam fotos e um rapaz viu sua GoPro sair voando para nunca mais ser vista.

 

 

 

O gosto do gás tóxico do vulcão preencheu minha boca. O vento agora era tão forte que empurrava as pessoas, o meu guia gritava para as pessoas saírem dali, mais tarde ele veio me dizer que o perigo era alguém cair no foço aonde havia lava e que os ventos estavam por volta de 100km/h. Eu me joguei no chão para abrir minha mochila e pegar meus goggles (ocúlos grandes), minha máscara e a GoPro. Um guia gritava "Esto sí es extremo!!!".

 

Uma garrafa d'água de 2 litros meio vazia que eu levava saiu da minha mochila como uma bala para o além. No meio daquela confusão, assim que eu consegui pegar os itens que eu estava buscando, olhei pra cima e já não havia mais ninguém, o meu guia gritava furiosamente de longe para eu sair dali, comecei a filmar e a me dirigir para o caminho de onde havíamos vindo. A mascara que eu tinha posto havia congelado e eu, com as luvas erradas, percebi que dois dedos meus estavam duros, ardendo de forma preocupante. Na hora percebi que devia sair o mais rápido possível daquele lugar e por minhas outras luvas.

 

 

O nome dado pelo povo mapuche para esse vulcão é Rucapillán, na sua lingua, "pillán" significa casa e "ruca" pode significar espírito ou demônio. Nesse dia com certeza era a segunda opção.

 

Eu saía dali desnorteado, com medo de congelar os dedos, agarrando alguns itens para que não voassem e meio sem equilíbrio por causa do vento. Essa foi minha breve experiência no cume, de forma bizarra ela foi tanto assustadora como incrível. Ali eu presenciara a fúria dos elementos.

 

 

Parte 3 - A descida

 

 

"voltei a escorregar, comecei a deslizar ganhando velocidade por alguns metros, assim como numa cena de filme eu usei a picareta na minha mão pra atacar o chão e isso me freou alguns metros abaixo"

 

Assim que eu saí do cume, as circunstâncias haviam me deixado confuso e assustado. Eu fui na direção das pessoas mas não atentei para o gelo no chão, deslizei um pouco e parei, me levantei de forma meio desatenta e voltei a escorregar, comecei a deslizar ganhando velocidade por alguns metros, assim como numa cena de filme eu usei a picareta na minha mão pra atacar o chão e isso me freou alguns metros abaixo.

O guia que estava gritando para eu usar a picareta veio até mim preocupado, ele tentou me fazer sair dali mas eu precisava trocar de luvas, com medo de congelar os dedos. Troquei as luvas e fui descendo, alguns metros mais para baixo, retomei meu foco e controle dos arredores.

 

Cheguei aos outros que andavam pelo caminho que viemos tropeçando constantemente, eu vi o guia indo muito mais facilmente pela neve ao lado e tomei o mesmo caminho, agora eu compreendia melhor o terreno. Decidi ir escorregando de bunda e me freando com os pés e cotovelos, desci os 300 e poucos metros até minha prancha rápido e tive que esperar os outros lá por uns 30 minutos, lá havia pouco vento.

 

 

Aproveitei para comer e tirar fotos, eu tinha que esperar o guia para conferir o radar (transceiver/beacon) contra avalanches para descer. Ele estava ajudando todo mundo no caminho e foi o último a chegar. Nesse momento eu estava alimentado, descansado e com as mãos aquecidas. O guia e eu conversamos um pouco e pus o snowboard, ele foi por o ski e não conseguiu. Eu então o ajudei a quebrar uns gelos que haviam se instalado nos bindings do seu ski. Feito isso era hora de começar a andar.

 

 

 

No início a neve estava toda irregular por causa do vento mas ainda assim solta de forma que eu pude descer a primeira parte aproveitando e sem nenhum problema. Fui passando todos que estavam descendo até chegar em uma secção por onde havíamos passado, com neve powder lisinha, sem nenhuma linha até aquele momento.

 

"Fui gritando e rindo boa parte da descida, passando por todo caminho que havia me custado cinco horas para subir, que agora eu percorreria em menos de 10 minutos."

 

 

Me animei tanto que esqueci por completo o cansaço das minhas pernas, comecei a descer o terreno perfeito ganhando velocidade e aproveitando minhas curvas em êxtase total. Fui gritando e rindo boa parte da descida, passando por todo caminho que havia me custado cinco horas para subir, que agora eu percorreria em menos de 10 minutos. Quando percebi, na minha euforia havia passado um pouco da cafeteria na base da montanha aonde havíamos começado a expedição, e aonde deveríamos nos reagrupar. Tive que caminhar por 20 minutos até lá e, ainda que exausto, havia me acostumado. 

 

 

 

 

No final todos nós nos reagrupamos e nos cumprimentamos. Estávamos esgotados e orgulhosos. Voltamos na van da agência até a própria aonde nos receberam com cervejas, mal nos conhecíamos, mas já éramos amigos. 

 

 

 

 

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